Conta COVID, a Pandemia da Energia Elétrica.
Conta COVID, a Pandemia da Energia Elétrica! Estamos no meio de junho de 2020 e continuamos no olho do furacão da pandemia COVID-19. (Pelo menos para alguns) E durante toda essa pandemia o consumo de energia elétrica no Brasil e no mundo teve uma queda significativa. A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que é responsável por viabilizar e gerenciar a comercialização de energia elétrica no país, fez uma análise do consumo de energia de alguns países. Países como Itália, Espanha, França, Reino Unido e EUA tiveram uma queda do consumo de energia elétrica. Respectivamente tiveram uma redução de 13%, 12%, 14%, 19% e 7% comparando os meses de maio de 2020 com o de 2019. No Brasil, nós tivemos uma queda de aproximadamente 10,9%, isso porque não passamos por nenhum “lockdown” e adiantamos alguns feriados. Considerando o período da crise no Brasil do dia 21/03 até o dia 05/06 temos uma variação do consumo de 65.549 MW para 58.032 MW. Outro ponto importante de falar é sobre o benefício que o governo está liberando para famílias de baixa renda. E esta variação afeta diretamente as distribuidoras de energia que é responsável por gerenciar nosso sistema de distribuição de energia elétrica. Para resolver estes problemas, um mês atrás, dia 18 de maio, foi publicado o decreto 10.350/2020 que estabelece a criação de uma Conta COVID para o setor elétrico. Se você se lembra, no ano de 2014 passamos por um problema parecido, não a pandemia, mas uma conta auxílio para as distribuidoras. No ano de 2012 a Dilma Rousseff assumia a presidência da República, a primeira mulher a governar nosso país. Uma das promessas dela foi a queda da taxa de energia elétrica do país e realmente aconteceu. A energia elétrica teve uma queda de quase 20% entre 2012-2013, porém esta queda gerou um enorme problema a longo prazo. Na época tivemos uma grave crise hídrica e as distribuidoras, sendo “obrigadas” a diminuir seus preços, tiveram que fazer grandes empréstimos bancários. Esses empréstimos foram obrigatórios pois elas não podem repassar o aumento do custo de compra de energia mais cara a qualquer momento. Mas como assim energia elétrica mais cara? Nossa matriz energética é composta por sua grande maioria de hidroelétricas, ou seja, nossa energia elétrica é gerada através de fontes hídricas. Essa energia, vendida em leilões, é muito mais barata que a energia de termoelétricas. As termoelétricas são contratadas como energia de reserva, elas servem para auxiliar em qualquer necessidade. Isso quer dizer que elas funcionam em mínimo obrigatório e elas só operam 100% quando ocorre problema com as usinas hidroelétricas. E por causa da crise hídrica, as termoelétricas tiveram que se manter ligadas por grandes períodos e essa energia é muito mais cara. Então no final de 2014 já tínhamos voltado ao patamar dos valores de 2012 e a partir dai o valor da energia elétrica só subiu. Fonte: ANEEL Estes valores são os valores médios da tarifa residencial, e elas possuem uma grande variação entre as distribuidoras. Sem contar o valor de bandeira tarifária que entrou em vigor no ano de 2015. O valor total de empréstimo para as distribuidoras foi de R$ 34 bilhões com prazo de pagamento de 54 meses. Destes R$ 34 bilhões, 37,7% eram apenas juros pagos para os bancos que realizaram o empréstimo. Já nos dias de hoje a situação hídrica no Brasil é totalmente contrária a época. Em 2014 nossa reserva hídrica no subsistema Sudeste/Centro-Oeste era de 19,4% hoje estamos em 54,35%. E como dito no início deste post, o consumo durante a pandemia vem caindo. No mês de abril tivemos uma queda de 12% e em maio chegamos a 11% comparado ao mesmo período do ano passado. Estas quedas representam um montante de 14,9% do Sistema Interligado Nacional menor que período pré-pandemia. Os setores que mais diminuíram o uso da energia elétrica forma os automobilísticos, têxteis e de serviços. O setor de veículos chega a uma queda de 55% e o setor têxtil chegando a menos 46% comparado ao mesmo período do ano passado. E a região mais afetada foi a região sudeste/centro-oeste, com uma queda de 12% em comparação a 2019. Sustentabilidade e a Energia Solar Você sabe como funciona a energia solar fotovoltaica? Você sabe de onde vem a energia elétrica? Os 5 estados que tiveram as maiores quedas foram os estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina. O estado do Rio de Janeiro diminui seu consumo em 17% e o estado de São Paulo em 13%. Porém em termos de energia São Paulo é quase 3 vezes maior que o Rio de Janeiro, tendo o consumo aproximado de 16.000 MWm e 5.500 MWm, respectivamente. Como podemos observar a situação de 2014 e agora de 2020 são bem diferentes. Em 2014 o preço de liquidação da diferença da energia era cara, hoje a energia está mais barata. Em 2014 os juros eram mais altos. Em 2014 tivemos crescimento de consumo energético e agora em 2020 estamos com uma queda do consumo. Então por que foi criada a Conta COVID para ajudar o setor elétrico? Podemos iniciar com a fala do ex-diretor geral da ANEEL Romeu Rufino: “Quando falta energia, é problema. Mas quando tem energia em abundância, também há consequências.” O que isso quer dizer? As distribuidoras contratam energia a longo prazo, baseado em estudos de crescimento econômico do país. Isso quer dizer que elas já têm um custo de contratação de energia elétrica a longo prazo junto com os geradores. Então todas as distribuidoras estão pagando uma energia que ninguém vai consumir. Além do grande aumento de inadimplência das contas de energia elétrica. E a Conta COVID entra aqui para auxiliar esse custo extra que as distribuidoras devem pagar. Então veio o decreto 10.350/2020 para oficializar este auxílio, e este decreto autoriza a criação da Conta COVID que vai ser gerida pela CCEE. Esta Conta COVID foi criada para cobrir déficits ou antecipar receitas, total ou parcialmente, das
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